Sempre fui um estrangeiro neste mundo, sem intenção de tornar-me imortal. ... Após vinte anos cultivando o caminho nas montanhas profundas, meu mestre ordenou que eu descesse, para conhecer demônios e espíritos, contemplar os múltiplos aspectos da vida, explorar montanhas e rios lendários, buscar o mítico imortal, pois dizia que isso era o verdadeiro cultivo. Não imaginei que, após percorrer todas as terras do sul ao norte, acabaria descobrindo que o imortal era eu mesmo.
No céu azul pairavam algumas nuvens de algodão, o sol queimava o couro cabeludo, e o canto das cigarras já soava mais rouco do que no início do verão.
Adiante estava o Corredor das Nuvens Verdes.
Song You caminhava, erguendo o olhar. Uma trilha estreita, sinuosa, por onde apenas uma pessoa podia passar, ladeada de um lado por campos, do outro por terra, conduzia à antiga estrada oficial, coberta por milenares ciprestes.
Os ciprestes eram antigos, a estrada era ancestral; não era algo que se tornaria história apenas com o tempo — mesmo neste período, já carregavam mais de mil anos de existência.
Essa via chamava-se Caminho de Jinyang, construída durante a Dinastia Yu para ligar Yizhou à planície de Guanzhong. Antigamente, era costume plantar árvores nas margens das estradas, para indicar aos viajantes o rumo principal; ao verem árvores em ambos os flancos, não se desviavam do caminho. Foi desde a Dinastia Yu que se passou a plantar ciprestes ao longo do Caminho de Jinyang, e em seu auge, eram dezenas de milhares de árvores, formando à distância um corredor envolto por nuvens verdes.
Por isso também era chamado de Corredor das Nuvens Verdes.
Song You avançou mais alguns passos, aproximando-se do corredor e enxergando tudo com maior nitidez.
Era o limiar entre o verão e o outono, época em que os ciprestes exibiam um tom peculiar de verde-acinzentado. Jamais podados ao longo dos séculos, seus ramos cresciam livres, extravagantes e entrelaçados, formando uma folhagem tão densa que a luz solar mal conseguia atravessar, salpicando o cam