No segundo ano do reinado de Zhenghe do Imperador Marcial, na véspera da Rebelião dos Feiticeiros... o príncipe herdeiro Liu Ju estava diante do salão principal do Palácio Weiyang. Erguendo o braço, declarou em alta voz: "Hoje, traidores vis tentam semear o caos e enganar os ouvidos sagrados. Como príncipe herdeiro e regente, ordeno a punição dos conspiradores da corte, restaurando a clareza ao lado de Sua Majestade." Dias depois, no Palácio de Ganquan, desenrolou-se um dramático confronto entre pai e filho, evento que entrou para a história como o "Golpe de Ganquan". No dia seguinte, Liu Ju ascendeu ao trono, herdando o vigoroso legado de Han Wu, e sobre seus ombros recaiu a responsabilidade de conduzir a dinastia Han rumo a um novo capítulo.
Ano primeiro de Yuan Shuo, 128 a.C.
O jovem Império Han, há sessenta anos erguido no Oriente, resplandecia em sua capital, Chang’an. No interior do palácio imperial, um choro de bebê ecoou, rompendo o silêncio opressivo que pairava sobre os salões reais.
Com um rangido, as portas imensas de madeira do grande salão foram cuidadosamente abertas por uma velha serva; seu rosto irradiava alegria, revelando a felicidade que lhe inundava o coração. Ela apressou o passo, aproximando-se de um homem de meia-idade vestido com trajes imperiais, curvando-se profundamente diante dele:
— Parabéns, Vossa Majestade! A senhora deu à luz um filho de dragão; mãe e filho estão bem!
O semblante do imperador, marcado por majestosidade e uma postura altiva, suavizou-se num instante. Seu olhar severo transformou-se em ternura, misturada a um entusiasmo contido.
— Ha ha! — exclamou ele. — Eu, Liu Che, tenho um filho!
Não havia dúvida: aquele homem vestindo o manto imperial era o soberano do jovem Império Han, Liu Che — o futuro criador da era de esplendor conhecida como o auge da dinastia Han.
As palavras da velha serva despertaram a atenção dos concubinas, damas e eunucos ao redor, que se curvaram em reverência.
— Excelente! Recompensem a todos! — Liu Che, exuberante, agitou as mangas e caminhou em direção à porta do aposento, pronto para entrar, mas subitamente hesitou, detendo as mãos sobre a porta.
Virando-se devagar, seus olhos, frios e penetrantes, repousaram sobre um eunuco corpulento, que segurava uma espada de oito faces, e ordenou: