Ao despertar em um novo mundo, Du Rui tornou-se uma 'raposa astuta' conhecida por sua gula, preguiça e língua afiada. Mal tinha o que comer, com refeições escassas e incertas; seu marido a desprezava e recusava qualquer aproximação, enquanto a sogra nutria aversão e desdém por ela. Os vizinhos a tratavam como motivo de riso e, na aldeia, sua reputação era péssima… Sem alternativas, Du Rou apenas se dedicou a melhorar sua própria vida, ignorando completamente os olhares e julgamentos das pessoas ao redor.
Ao redor da margem do rio das Fadas, que contornava a aldeia de Vale Leste, a brisa da noite soprava suavemente, fazendo as moitas de junco se dobrarem ao vento. Um bando de aves cansadas cruzava o céu sem deixar vestígios, e ao longe desenhavam-se as montanhas azuladas, ondulantes.
Um grupo de aldeões do Vale Leste estava reunido ali, visivelmente agitados.
— Não é de admirar que tenha vindo sorrateiramente para o meio dos juncos!
— De novo essa desavergonhada! Roubando! Bem feito!
— Bate nela com força!
— Ela parou de se mexer, será que morreu? — perguntou alguém, apreensivo.
— Durulã! Nem pense em fingir de morta!
— Fingir pra quem? Não pense que é assim que vai se livrar dessa!
— Será que morreu mesmo? — alguém enxugou o suor.
Os aldeões se entreolharam, um traço de pânico escondido nos rostos; que não acontecesse uma tragédia, senão acabariam respondendo perante a justiça!
As pestanas de Duruó tremularam, ela gemeu de dor e, com esforço, abriu os olhos. Vius-se cercada por uma multidão vestida com roupas antigas, todos aliviados ao vê-la acordar, com expressões variadas.
Ela se lembrava de estar voltando do trabalho, de dirigir o carro e de colidir com um caminhão fora de controle. Luzes ofuscantes, estilhaços de vidro, sangue por todo o corpo. Seu último pensamento: ela ia morrer!
Abriu a boca e perguntou:
— Onde estou?
— Ora, deixe de fingir! Ladra!
— Sem vergonha!
— Espiou homens a tomar banho e ainda roubou dinheiro!
Durulã ficou completamente atônita. Do que es