Uma história com um toque de nostalgia. Grupo de leitores: 666-464-52
Maio de 1983.
O norte acabara de se despedir do frio; o calor nascente se insinuava, e o sol fazia o pó dançar, misturando-se ao aroma de tempos antigos, pousando suavemente sobre uma frondosa e tenra árvore de salgueiro. O salgueiro se erguia junto à estrada, seus ramos densos resguardando a entrada de uma casa de dois andares, onde pendiam duas placas: Companhia de Música Popular de Ancheng e Associação de Artistas de Música Popular de Ancheng.
O andar superior era reservado ao trabalho administrativo; embaixo, o grande salão, onde se ouviam, de maneira difusa, sons de tambores, cordas, e vozes melodiosas e dramáticas, ecoando de dentro. “O cavalo tropeça à beira do penhasco, o cavalheiro ergue os olhos e vê estátuas de homens, cavalos e ministros, há porcos, carneiros e uma ponte suspensa de pedra, pilares celestiais e criaturas fantásticas divididas à esquerda e à direita...”
O salão era amplo, e a multidão dispersa. No canto sudeste, uma senhora de idade avançada segurava com a mão esquerda uma tábua rítmica e, com a direita, batia com precisão o tambor, acompanhando-se com toques cheios de sonoridade. Era uma célebre passagem do Grande Tambor de Xihe, “O Processo de Pan e Yang”, do ciclo dos Generais da Família Yang. Ao lado, um velho de barba branca dedilhava um instrumento de três cordas, enquanto quatro ou cinco discípulos sentavam-se à frente, ouvindo com atenção.
Um pouco mais distante, no palco, quatro figuras trajadas de roupas floridas ensaiavam uma peça local. No canto abaixo do palco, dois homens apresentavam uma performance rápida