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Ano segundo do reinado Yongle da dinastia Ming.
O crepúsculo já se avizinhava, mas a Cidade Proibida, situada ao sopé do Monte Zhong, em Nanjing, resplandecia como se fosse pleno dia, iluminada por incontáveis lanternas. As extensas cumeeiras esmaltadas se desenhavam tal qual um dragão serpenteante, estendendo-se até um recanto do Palácio Leste.
Nos pátios ondulantes do Palácio Leste, alguém agitava-se de tal modo que parecia prestes a bater os pés em desespero, exclamando: “Parem, parem...”
A voz, ofegante e pálida, pertencia a um homem trajando túnica cerimonial, adornada com nove emblemas bordados. No entanto, as largas mangas de seu traje, compridas demais, tornavam sua corrida desajeitada e patética.
À frente, quem fugia esgueirou-se pelo arco de uma porta lunar—era um jovem de doze ou treze anos. Com o rosto ainda marcado pelo susto, disse: “Se o cunhado não me bater, não fujo mais.”
No mesmo instante, o homem que o perseguia, ofegante, ficou furioso, cerrando os dentes: “Se o filho não é corrigido, é culpa do pai. Se hoje não te der uma boa lição, amanhã vais querer subir ao telhado para arrancar as telhas?”
O rapaz então gritou em alto e bom som: “Mas você não é meu pai!”
O homem de túnica, esquecendo toda compostura, arregalou os olhos e bradou: “O irmão mais velho é como um pai!”
“Mas também não és meu irmão...”
O homem elevou ainda mais a voz: “Sou teu cunhado!”
O rapaz parecia pronto para retrucar novamente. Contudo, nesse momento, alguns eunucos, movendo-se furtivamente rente ao muro, aproveitaram o