Xiao Jingwen tirou as mãos do volante; o carro já estava desligado, parado no estacionamento subterrâneo. No banco do passageiro ao lado dele estava o ex-namorado com quem estava separado há cinco anos. Ele ficou preso em silêncio por um bom tempo, sem conseguir dizer uma única palavra de súplica para detê-lo. Só conseguiu dizer, de forma hesitante: “Amanhã... amanhã vai chover muito.” “Não tem problema, Sr. Xiao.” Lin Congzhi desabotoou o cinto de segurança, sorriu de modo polido e sereno, inclinando levemente a cabeça e disse: “Hoje à noite eu já vou embora.” ------·Lin Congzhi é o papel de submisso·Linha do tempo única no presente (sem criar capítulos ou volumes separados de passado; haverá descrições do passado, basicamente em flashbacks)·Arquivo de sinopse de 2024-02-01------
Uma chuva que não cai pesa sobre a cidade, deixando o ar opressivo e difícil de respirar.
Quando a assistente da galeria trouxe o café e o terno, Lin Congzhi estava traçando os pontos de luz com tinta branca. Ele segurava a paleta diante do cavalete — era uma tela de grandes dimensões, pintava de pé, o quadro era até um pouco mais alto que ele.
Vestia um moletom cinza-chumbo folgado, com as mangas arregaçadas até os cotovelos e uma calça esportiva igualmente cinza. Fazia algum tempo que não cortava o cabelo, a franja estava comprida demais, então ele a prendera para trás com um grampo longo. Os fios, levemente ondulados por natureza, caíam-lhe sobre a testa e o olhar. Seus olhos fitavam a tela com intensidade, completamente absorto.
Já estava ali de pé, pintando, há mais de quatro horas. O corpo cansado, sustentava-se apenas pela força de vontade.
“Professor Lin, preste atenção na hora”, avisou a assistente, colocando o café na mesinha do canto do ateliê e pendurando o terno no cabide. “Já são quase cinco horas, não quer sair um pouco antes? Assim evita o trânsito.”
Lin Congzhi respondeu distraidamente com um “hm”, os olhos ainda fixos nas linhas e sombras do quadro, insatisfeito com alguns detalhes, a testa levemente franzida.
A assistente sabia que ele não ouvira nada do que dissera, então limitou-se a fazer uma última checagem no terno. O terno fora entregue há pouco pela lavanderia, ainda envolto no saco plástico transparente. Ela o examinou dos dois lados e acrescentou: “Aliás, o senhor ainda precisa tomar banho, não? E o cabelo?