Ganharam um espaço e ainda assim o usaram para plantar; que desperdício da dádiva do céu! Não seria melhor dar um lar para aquelas garotas? Desde então, entre brotos tenros e flores, tudo será de beleza infinita, como uma brisa leve no labor da primavera, mil outonos de risos junto às taças. À beira do lago, pequenas ameixas verdes; sob a lua, romãs vermelhas. Vamos então ao Monte Búzhōu; as flores, todas juntas, ainda não foram harmonizadas com calma. Não digas que o Pavilhão do Céu é uma gaiola. No Palácio Celestial há poucos que chegam, e as histórias de nuvens e chuva são inesgotáveis…
A dor era lancinante, como se todo o corpo estivesse sendo rasgado. O mendigo ao lado, ao ouvir o movimento, olhou para mim. Vendo que eu abria os olhos, aproximou-se.
— Senhor, acordou?
Onde estou? Quem é você? Olhei para o pequeno mendigo, confuso, e perguntei.
— Este é o sopé do Desfiladeiro Infinito, na fronteira do Reino Ascendente — respondeu ele, esperançoso. — Senhor, é um mestre celestial?
Mestre celestial? Desfiladeiro Infinito? Eu não estava pescando? Refletindo sobre questões filosóficas...
— Esta é a fronteira do Reino Ascendente. Atrás do templo em ruínas fica o Desfiladeiro Infinito. Encontrei o senhor atrás do templo, quase sem vida e todo rasgado. Achei que fosse um mestre celestial vindo do desfiladeiro...
Se não fosse a pureza e inocência no rosto do pequeno mendigo, eu pensaria que ele estava brincando.
— Por que pergunta se sou um mestre celestial? — questionei, sentindo algo estranho.
— O Desfiladeiro Infinito está cheio de feras perigosas. Mortais comuns não entram lá. Somente mestres celestiais podem buscar ervas, eles são capazes de voar.
— Já viu algum mestre celestial?
— Sim, claro! — respondeu com admiração.
O pequeno mendigo, acordando de seu devaneio, perguntou:
— Senhor, não conhece os mestres celestiais?
Agora eu começava a acreditar no inacreditável. Se estou aqui, que seja. O que mais posso fazer?
— O que é essa coisa em mim? — perguntei, tentando remover a substância verde e pegajosa que cobria meu corpo.
— Não tire! São ervas que esmaguei e coloqu